
Brasília – Trinta e seis deputados de partidos que compõem a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaram um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo, que deve ser protocolado na Câmara dos Deputados na próxima semana. O movimento reúne parlamentares do MDB, União Brasil, PSD, Republicanos e PP, legendas que integram o governo, mas que possuem núcleos bolsonaristas.
A iniciativa, liderada pelo deputado Rodolfo Nogueira (PL), já conta com 117 assinaturas. O pedido se baseia em supostas irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC).
Apesar de ocuparem espaços no primeiro escalão do governo, deputados desses partidos aderiram ao movimento de oposição. Atualmente, a distribuição de ministérios entre essas siglas é a seguinte:
- União Brasil: Juscelino Filho (Comunicações), Celso Sabino (Turismo) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional);
- PSD: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Pesca);
- MDB: Renan Filho (Transportes), Jáder Filho (Cidades) e Simone Tebet (Planejamento);
- PP: André Fufuca (Esporte);
- Republicanos: Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).
O apoio de deputados governistas ao pedido de impeachment expõe a fragilidade da articulação política do Palácio do Planalto e reforça a influência bolsonarista dentro dessas siglas. O Planalto ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas a movimentação é vista como um alerta para o governo, que depende do apoio do Congresso para avançar com sua agenda.
A aceitação ou não do pedido de impeachment dependerá do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tem mantido uma relação de pragmatismo com o governo. Nos bastidores, governistas articulam para conter o avanço da pauta e evitar novos desgastes políticos.
