
Em depoimento à Justiça, Débora Rodrigues dos Santos, presa por pichar a estátua A Justiça, localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, afirmou que não tinha conhecimento do valor simbólico do monumento. A cabeleireira, ré pelos mesmos cinco crimes atribuídos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou que viajou a Brasília por vontade própria e que não esperava a dimensão dos acontecimentos daquele dia.
Débora, que mora em Paulínia, no interior de São Paulo, foi à capital federal no dia 7 de janeiro e permaneceu no Quartel-General do Exército antes de seguir para a Praça dos Três Poderes, onde pichou a estátua com a frase “Perdeu, mané”, utilizando um batom vermelho. A frase faz referência a uma fala do ministro Luís Roberto Barroso.
Em sua defesa, a ré alegou que apenas completou uma pichação iniciada por outra pessoa. “Quando eu me deparei lá em Brasília, lá no movimento, não fazia ideia do bem financeiro e do bem simbólico daquela estátua. Quando estava lá, já tinha uma pessoa fazendo pichação. E faltou um pouco de malícia da minha parte, porque ele começou a escrita e falou assim: ‘Eu tenho a letra muito feia, moça. Você pode me ajudar a escrever?’. E eu continuei fazendo a escrita da frase dita pelo ministro Barroso”, explicou.
Emocionada, Débora pediu perdão e afirmou que sua prisão tem causado grande sofrimento à sua família. “Só queria que soubesse disso, excelência, porque isso tem feito minha família sofrer demais. Me desculpa”, disse, destacando a dificuldade de estar longe dos filhos.
- A Justiça segue analisando o caso, enquanto Débora responde pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
