
O prefeito de Pedro do Rosário (MA), Toca Serra (PSB), voltou a ser alvo de críticas após adiar o pagamento de direitos trabalhistas dos professores do município. O gestor alegou que o atraso seria reflexo de tarifas impostas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ele, provocaram um “efeito dominó” nas contas públicas locais.
A justificativa, no entanto, contrasta com a recente assinatura de um contrato de R$ 300.705,08 para aquisição de equipamentos e suprimentos de informática junto à empresa Prime Comércios e Serviços Ltda.
Excesso e sobrepreço
Entre os itens adquiridos, chama atenção o volume de cabos de rede. Foram compradas 150 caixas, equivalentes a 45.750 metros de cabeamento, ao custo de R$ 163.287,00 – valor suficiente, segundo técnicos da área, para cabear bairros inteiros, algo considerado desproporcional para uma prefeitura de pequeno porte.
- 50 caixas de cabo Cat5e de 305 metros, a R$ 963,90 cada – total de R$ 48.195,00;
- 40 caixas de cabo Cat5e azul de 305 metros, também a R$ 963,90 cada – total de R$ 38.556,00;
- 60 caixas de cabo Cat6E de 305 metros, cotadas a R$ 1.275,60 cada – total de R$ 76.536,00.
Outro ponto polêmico são os chamados “supérfluos de luxo”. A lista inclui 35 mouse pads gamer a R$ 153,57 cada (R$ 5.374,95 no total) e 10 suportes para gabinetes com rodinhas ao preço unitário de R$ 259,08 (R$ 2.590,80).
Além disso, foram adquiridos 25 HDs externos de 1TB por R$ 693,84 cada (R$ 17.346,00) e 15 HDs externos de 2TB a R$ 591,63 cada (R$ 8.874,45).
Impressão em alto custo
Os insumos para impressão também tiveram valores expressivos. A prefeitura pagou:
- 27 toners Brother TN-2370 a R$ 298,75 cada, somando R$ 8.066,25;
- 18 toners Brother TN-219XLBK por R$ 786,71 cada, totalizando R$ 14.160,78;
- cilindros de imagem Brother e Konica Minolta ao preço médio de R$ 1.368,86 por unidade, ultrapassando R$ 5 mil somente nesses itens.
Contradições na gestão
Enquanto professores aguardam o pagamento de seus direitos trabalhistas, a prefeitura direciona recursos elevados para itens de questionável necessidade e preços acima do mercado. O contraste entre a alegada crise financeira e o gasto de mais de R$ 300 mil em informática reforça suspeitas sobre prioridades da gestão Toca Serra.
