Especialista critica “promessas mágicas” para a segurança pública e alerta sobre uso do medo em eleições

A antropóloga e especialista em segurança pública Jacqueline Muniz criticou propostas que costumam ganhar destaque durante campanhas eleitorais, como a instalação de câmeras corporais, o aumento do efetivo policial e o endurecimento das penas. Segundo ela, nenhuma dessas medidas, quando adotada de forma isolada, é suficiente para solucionar os principais problemas da segurança pública.

Em entrevista ao PoderDataCast, na quinta-feira (27), Muniz destacou que uma câmera corporal pode registrar uma ocorrência, mas não necessariamente impedir que um crime ou uma ação violenta aconteça. Ao defender seu argumento, a especialista afirmou: “Sorria, você vai ser morto sendo filmado”.

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz ressaltou que os diferentes tipos de crimes exigem estratégias específicas e criticou o que classificou como “promessas mágicas” apresentadas principalmente em períodos eleitorais.

Para a especialista, uma política de segurança pública mais eficiente deve considerar aspectos como logística, distribuição e cobertura policial, capacidade de pronta resposta às ocorrências e mecanismos de avaliação e acompanhamento do trabalho realizado pelas forças de segurança.

Muniz também chamou atenção para discursos que defendem o endurecimento das leis penais como principal solução para a criminalidade. Na avaliação dela, o medo da população pode ser explorado politicamente para conquistar apoio durante as eleições.

A antropóloga alertou ainda para o risco de a insegurança ser utilizada como instrumento de poder, levando parte dos eleitores a aceitar a redução de determinadas garantias em troca de promessas de proteção imediata.

Segundo a especialista, o enfrentamento da violência exige políticas estruturadas, planejamento e avaliação contínua, em vez de medidas isoladas apresentadas como soluções definitivas para problemas complexos.

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