
Interceptações telefônicas da Polícia Federal (PF) confirmaram a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). As gravações envolvem conversas entre Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia e reforçam a estratégia do governador de adotar um tom conciliador com a Corte, evitando críticas diretas a seus integrantes.
Em um dos trechos, Malafaia relata que Bolsonaro acionou Tarcísio para conversar com o ministro Gilmar Mendes, numa tentativa de interceder a favor do ex-presidente. O pastor, porém, criticou Bolsonaro por ter chamado o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de “imaturo” após desentendimentos do parlamentar com o governador paulista.
“Você poderia até defender o Tarcísio, porque foi você quem mandou Tarcísio na embaixada [dos Estados Unidos] e procurar o Gilmar [Mendes]. Agora, você queimar seu garoto? Aí não, vai me desculpar. E olha que eu bato, eu mando mensagem pra Eduardo batendo nele. Isso é um erro estratégico, de alto grau”, afirmou Malafaia na gravação.
A postura de Tarcísio já havia sido revelada em junho, quando a coluna mostrou que o governador prefere se apresentar como uma espécie de “ponte” entre Bolsonaro e o Supremo, mantendo canais de diálogo com ministros, em especial após as críticas de Eduardo Bolsonaro, que o acusou de “complacência” por não atacar diretamente Alexandre de Moraes.
O áudio integra a investigação da PF sobre articulações de aliados de Bolsonaro para buscar sanções do governo dos Estados Unidos contra Moraes e autoridades brasileiras. No mesmo diálogo, Malafaia ressaltou a atuação de Eduardo Bolsonaro junto a representantes norte-americanos nesse processo.
