Família denuncia negligência médica em caso de menino que morreu com corpo necrosado no Distrito Federal

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) está investigando a morte de Miguel Fernandes Brandão, de 13 anos, ocorrida no Hospital Brasília, no Lago Sul. A família do adolescente registrou um boletim de ocorrência no dia 30 de dezembro de 2024, denunciando suposta negligência médica. O caso está sendo apurado pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul).

Miguel morreu em novembro, 26 dias após ser internado na unidade de saúde. Segundo sua mãe, Genilva Fernandes, de 40 anos, o diagnóstico de infecção pela bactéria Streptococcus Pyogenes foi tardio, comprometendo as chances de recuperação. Durante a internação, as costas, glúteos, pernas e partes íntimas do menino ficaram necrosadas, e ele teve que passar por procedimentos para a retirada de tecido morto.

Graves relatos da família
Genilva afirmou que a demora no diagnóstico e no início do tratamento foi crucial para o desfecho. Em seu depoimento à PCDF, ela disse que um infectologista do hospital confirmou que, caso Miguel tivesse sido levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes, as chances de sucesso seriam maiores. “Meu filho foi matado no hospital. Na UTI, fizeram o possível, exceto a médica que perfurou a bexiga dele”, declarou a mãe.

Fotos enviadas pela família à reportagem mostram feridas severas no corpo do adolescente. Contudo, por respeito à privacidade, nem todas as imagens foram divulgadas. A mãe também revelou que, antes de Miguel ser internado na UTI com choque séptico, ao menos dois documentos do hospital mencionaram “ansiedade” por parte dela em relação ao quadro clínico do filho, o que ela considera como uma tentativa de minimizar a gravidade inicial do caso.

Esforços tardios e indignação
Apesar de reconhecer o esforço da equipe médica da UTI, a família acredita que o atendimento inicial foi negligente e contribuiu para o agravamento da condição de Miguel. “Na UTI já era tarde demais”, lamentou Genilva, destacando que o estado gravíssimo do filho poderia ter sido evitado com uma intervenção mais ágil.

Resposta do Hospital Brasília
Em nota, a assessoria do Hospital Brasília informou que, por questões éticas e legais, não divulga informações sobre o histórico de saúde de seus pacientes. “Em respeito à privacidade e confidencialidade, seguimos as normas de sigilo médico”, diz o comunicado.

O caso segue sob investigação da PCDF, que busca esclarecer as circunstâncias da morte e apurar possíveis responsabilidades. A família espera justiça e que situações semelhantes não voltem a ocorrer.

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