
A quantia que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estaria disposto a investir na produção do filme Dark Horse, obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, supera o valor captado por meio da Lei Rouanet em 21 estados brasileiros e no Distrito Federal ao longo de 2025.
A informação ganhou repercussão após reportagem do The Intercept Brasil revelar tratativas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para viabilizar financeiramente o longa-metragem. Segundo a publicação, o investimento negociado ultrapassaria os R$ 134 milhões.
Diante da repercussão, apoiadores do ex-presidente passaram a defender o financiamento privado de produções audiovisuais e intensificaram críticas à Lei Rouanet, principal mecanismo federal de incentivo à cultura no país.
Levantamento realizado pela coluna do jornalista Tácio Lorran, com base em dados do Salic Comparar — plataforma do Ministério da Cultura que reúne informações sobre projetos culturais — aponta que o valor previsto para o filme é maior do que toda a captação obtida via Lei Rouanet em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Espírito Santo e Santa Catarina.
A Lei Rouanet criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), permitindo que pessoas físicas e empresas destinem parte do imposto de renda para financiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.
Apesar das críticas frequentes envolvendo o setor audiovisual, a legislação não permite a captação de recursos para filmes de longa-metragem. Nesse segmento, o mecanismo atende apenas produções de curta e média duração, além de ações de preservação e difusão do acervo audiovisual brasileiro.
O caso reacendeu o debate sobre os diferentes modelos de financiamento da cultura no Brasil, contrapondo investimentos privados de grande porte ao sistema de incentivo fiscal utilizado por produtores culturais em todo o país.
