
O governo federal realizou, no início da tarde desta sexta-feira (29), uma reunião ministerial para discutir medidas e avaliar os impactos diplomáticos após os Estados Unidos anunciarem a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O encontro, iniciado às 12h, reuniu representantes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), da Casa Civil e do Ministério da Fazenda. A decisão anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pegou o Palácio do Planalto de surpresa e gerou desconforto nos bastidores do governo brasileiro.
Até o momento, o governo federal não havia se pronunciado oficialmente sobre a medida adotada pela Casa Branca. Interlocutores da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem que houve forte surpresa e frustração com a ausência de comunicação prévia por parte do governo dos Estados Unidos.
Auxiliares de Lula esperavam que Washington realizasse ao menos um aviso diplomático antes da divulgação pública da decisão. A expectativa era de uma “cortesia diplomática”, principalmente após o recente encontro bilateral entre Lula e o presidente Donald Trump, em Washington, considerado amistoso por integrantes do governo brasileiro.
A classificação das facções como organizações terroristas pode ampliar mecanismos de cooperação internacional no combate ao crime organizado, além de permitir sanções financeiras e medidas mais rígidas contra integrantes e apoiadores dos grupos.
O governo brasileiro agora avalia os possíveis desdobramentos diplomáticos, jurídicos e econômicos da decisão norte-americana.
