
Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e ao temor de novos impactos inflacionários no Brasil, o governo federal prepara uma mudança significativa na política de combustíveis: o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27,5% para 30%.
A proposta, que vinha sendo discutida internamente há meses, ganhou força nas últimas semanas com a alta no preço internacional do petróleo. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a necessidade da medida durante reunião nesta segunda-feira (23).
O principal objetivo é proteger o mercado interno das oscilações globais provocadas por conflitos geopolíticos, especialmente a recente tensão militar entre Israel e Irã. O governo teme que a instabilidade na região possa afetar diretamente o preço dos combustíveis no Brasil, aumentando os custos para o consumidor e pressionando ainda mais a inflação.
Impacto da crise no Oriente Médio
Mesmo com o anúncio de um cessar-fogo na última segunda-feira, o mercado de petróleo segue reagindo de forma volátil. Entre os fatores que mantêm a preocupação elevada está a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz – rota estratégica por onde passa cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo. Qualquer interrupção nessa passagem pode resultar em novas altas no barril do petróleo, com reflexo imediato nos preços internos dos combustíveis.
Autosuficiência e impacto na inflação
De acordo com cálculos do governo, a elevação para 30% da mistura de etanol na gasolina pode garantir a autossuficiência do Brasil na produção de gasolina, reduzindo a necessidade de importações e, consequentemente, a exposição às flutuações do mercado internacional.
A expectativa é que a medida ajude a conter o preço da gasolina nas bombas, o que teria um efeito positivo sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país.
A decisão final sobre o aumento da mistura será tomada na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para esta quarta-feira (25). Fontes do governo afirmam que a aprovação é dada como praticamente certa.
Conta de luz e ação para conter impacto da Lei das Eólicas Offshore
Além da política de combustíveis, o governo também está preocupado com uma possível alta na conta de luz. Isso porque o Congresso Nacional incluiu diversos “jabutis” (emendas estranhas ao texto original) na nova Lei das Eólicas Offshore, o que pode elevar significativamente os custos da energia elétrica.
Para mitigar os efeitos dessa medida, o Palácio do Planalto trabalha nos bastidores a edição de uma Medida Provisória. Uma minuta do texto, que pretende reduzir o impacto fiscal de R$ 35 bilhões para R$ 11 bilhões anuais, já circula na Casa Civil há cerca de um mês e pode ser publicada a qualquer momento.
Com essa combinação de ações – controle nos combustíveis e contenção de aumento na energia – o governo tenta evitar um novo choque inflacionário nos próximos meses.
