Irã condiciona retomada de negociações ao fim da ofensiva israelense, diz chanceler

O governo iraniano anunciou que só retomará as negociações diplomáticas com as potências ocidentais após o fim da ofensiva militar de Israel contra seu território. A posição foi apresentada nesta sexta-feira (20) pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, durante reunião com representantes da Alemanha, França, Reino Unido e União Europeia, realizada em Genebra, na Suíça.

O encontro, convocado pelos chanceleres europeus, teve como objetivo buscar alternativas diplomáticas para conter a escalada da violência no Oriente Médio. A tensão entre Teerã e Tel Aviv se intensificou após Israel realizar um ataque preventivo contra instalações nucleares iranianas, com o argumento de impedir o desenvolvimento de uma arma atômica. Em resposta, o Irã lançou uma série de drones e mísseis contra alvos israelenses.

A ofensiva de Israel já dura oito dias e, segundo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, novas ações militares estão sendo planejadas contra bases iranianas. No entanto, fontes próximas ao governo israelense admitem que ataques de maior envergadura dependeriam do uso de armamentos pesados ou do envolvimento direto dos Estados Unidos.

Durante as conversas em Genebra, os representantes do chamado grupo E3 (Alemanha, França e Reino Unido) pressionaram Teerã a manter o diálogo com os Estados Unidos sobre o futuro de seu programa nuclear. Contudo, o chanceler iraniano foi enfático ao afirmar que qualquer retomada das negociações está condicionada ao fim da ofensiva israelense e à responsabilização de Israel pelos ataques.

“O Irã só voltará à mesa de negociações quando cessarem as agressões e quando Israel for responsabilizado pelos crimes cometidos”, declarou Araghchi. Ele reiterou ainda que o programa nuclear iraniano tem fins exclusivamente pacíficos e que as capacidades de defesa do país “não estão sujeitas a negociação”.

Apesar da postura dura, o Irã demonstrou abertura para continuar o diálogo com os países europeus. “Estamos dispostos a realizar novas reuniões com os chanceleres do E3 em breve”, acrescentou o representante iraniano.

Por sua vez, os ministros europeus ressaltaram a necessidade urgente de uma solução negociada para evitar o agravamento do conflito e impedir que o Irã avance na construção de uma bomba nuclear. O chanceler francês, Jean Noël Barrot, fez um apelo para a redução das hostilidades e alertou para os perigos de uma tentativa de mudança de regime em Teerã. “Cabe ao povo iraniano decidir seu próprio destino”, afirmou.

Em declaração conjunta, os chanceleres da Alemanha, França e Reino Unido pediram a ambas as partes que demonstrem contenção e busquem caminhos diplomáticos para evitar um confronto regional de maiores proporções.

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