MPF revisa cálculos e estima prejuízo de R$ 50 milhões em esquema de corrupção no TJMA

O Ministério Público Federal (MPF) revisou os cálculos sobre um esquema de corrupção envolvendo desembargadores, juízes, advogados e servidores do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), elevando a estimativa do prejuízo aos cofres públicos para aproximadamente R$ 50 milhões. A atualização ocorre após o aprofundamento das investigações, que revelaram uma organização criminosa dedicada à venda de decisões judiciais e ao desvio de recursos.

As apurações tiveram início a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que apontaram movimentações bancárias atípicas relacionadas a alvarás judiciais fraudulentos. A investigação identificou que o grupo atuava manipulando processos para beneficiar determinados interesses, causando prejuízos diretos ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e ao erário público.

A operação, batizada de “18 Minutos”, faz referência ao tempo médio em que os processos suspeitos eram analisados e decididos, levantando indícios de irregularidades no trâmite das ações. Durante a ofensiva policial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos, incluindo residências, escritórios de advocacia e até prédios do Judiciário. Documentos, dispositivos eletrônicos, valores em espécie e bens de luxo foram apreendidos, além do bloqueio de contas bancárias.

Entre os principais investigados estão os desembargadores Nelma Sarney, Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Filho e Marcelino Everton Chaves, além dos juízes Alice de Sousa Rocha e Sidney Cardoso Ramos. Advogados, empresários e servidores do TJMA também foram citados como envolvidos no esquema.

Até o momento, as operações resultaram na apreensão de diversos bens, como imóveis e veículos de alto valor, além do bloqueio de recursos financeiros dos investigados. O MPF segue com as investigações para aprofundar a responsabilização dos envolvidos e recuperar os valores desviados.

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