Podcast revela bastidores da relação de Michelle Bolsonaro com os filhos de Jair e sua influência no meio evangélico

O segundo episódio do podcast “Michelle”, produzido pelo UOL Prime, traz novos detalhes sobre a vida da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, abordando tanto sua relação com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto sua atuação no meio evangélico e sua influência durante a campanha presidencial de 2018.

Segundo o pastor Silas Malafaia, que celebrou o casamento religioso de Michelle e Jair Bolsonaro em 2013, a convivência entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente nunca foi harmoniosa. De acordo com ele, os filhos não enxergam Michelle como integrante da família, mas como alguém que ocupa o lugar da mãe deles.

O podcast destaca que, apesar de Michelle ter desfilado ao lado de Carlos Bolsonaro na cerimônia de posse presidencial, em 2019, a relação entre os dois se deteriorou posteriormente. Ela chegou a impedir a entrada do vereador no Palácio da Alvorada. Conforme apuração da jornalista Mariana Sanches, Michelle disputava com Carlos a proximidade e a influência sobre Jair Bolsonaro.

A convivência também teria sido marcada por conflitos com Jair Renan Bolsonaro. Já com os senadores Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, a relação era considerada menos conturbada, embora, segundo o podcast, os filhos do ex-presidente vejam Michelle como uma pessoa oportunista, acreditando que ela teria enxergado em Jair Bolsonaro uma oportunidade de ascensão social.

O episódio também apresenta a trajetória religiosa da ex-primeira-dama. Michelle iniciou sua caminhada na Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela Assembleia de Deus da Penha, onde conheceu o deputado Sóstenes Cavalcante, e posteriormente buscou aproximar Jair Bolsonaro do meio evangélico. Ela chegou a pedir ao parlamentar que tentasse convencer o então presidente a se tornar evangélico e frequentar a igreja liderada por Silas Malafaia. Apesar disso, Jair Bolsonaro permaneceu católico.

Após um desentendimento com Malafaia, Michelle passou a frequentar a Igreja Batista Atitude. A antropóloga Jacqueline Moraes Teixeira afirma que a mudança permitiu à ex-primeira-dama conquistar maior protagonismo religioso, sem depender da influência de um grande líder evangélico. Michelle e Malafaia retomaram a relação em 2022.

Outro ponto destacado pelo podcast é a participação de Michelle na campanha presidencial de 2018. No horário eleitoral gratuito, ela apareceu usando uma camiseta com uma cruz vazia, em um gesto interpretado como um sinal aos eleitores evangélicos de que Jair Bolsonaro, embora católico, estava próximo dos valores da fé evangélica.

Segundo a jornalista Anna Virgínia Balloussier, Michelle desempenhou um papel estratégico na campanha, funcionando como uma ponte entre Bolsonaro e o eleitorado evangélico. Nas palavras da jornalista, a ex-primeira-dama transmitia a mensagem de que “Jair não é, mas está quase lá; eu sou a auxiliadora dele e a fé está comigo”, reforçando sua importância na construção da imagem do então candidato junto a esse segmento religioso.

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